MERCADO DO BOM FIM (Porto Alegre/RS)

……….Localizado entre as avenidas Oswaldo Aranha com José Bonifácio, na capital gaúcha, o Mercado do Bom Fim é um ponto tradicional do bairro. Existe desde 1928, inicialmente onde hoje funciona o Hospital de Pronto Socorro. Após dez anos foi transferido para o local onde está hoje. Entre os antigos permissionários, permanecem as floristas e o Zé do Passaporte. Este considerado o primeiro cachorro-quente de Porto Alegre.

……….Inicialmente denominado de “Passaporte para o inferno”, devido aos molhos apimentados, o cachorro-quente funcionava num trailer, onde se encontra o estacionamento, próximo do posto policial, se tornando um tradicional ponto de encontro do fim das noites boêmias na década de 60. Ainda hoje é lembrado por seu magnífico “Pastor”, cachorro-quente que tinha a salsicha enrolada no queijo derretido. Posteriormente, passou a integrar uma das lojas do Mercado.

……….O Mercado do Bom Fim funciona hoje com 24 permissionários, estando diariamente abertas as lojas das 9h às 19h e os bares das 10h às 24h. De segunda-feira a sábado, pode se usufruir da área azul em frente ao Mercado para estacionar. No domingo, o estacionamento é gratuito.
……….O bairro Bom Fim teve muitos bares que marcaram a noite porto alegrense. Na década de 70, na “esquina maldita”, os bares eram frequentados por estudantes e militantes políticos que desafiavam a ditadura. Inclusive foi nesta época que os cursos de Humanas da UFRGS foram transferidos para outras localidades da cidade, com o objetivo de dispersar esses grupos revolucionários.
……….Já na década de 80, com menos repressão política, houve uma transição para o “baixo bom fim”, nas proximidades do Mercado, sendo frequentado por diferentes tribos, como boêmios, hippies, punks, regueiros, darks e skaters, assim, emergiram outros bares. O mais famoso dessa época era o Bar Escaler, onde hoje se encontra o Café do Brique, que tinha um palco onde aconteciam muitos shows, inclusive bailes a céu aberto. Uma figura significativa do bar era Antonio Calheiros, vulgo Toninho do Escaler, o dono do bar.

……….No verão de 1986, o bar fez a memorável campanha batizada de “Cometamor”, onde implantaram um observatório improvisado para celebrar a chegada do cometa Halley, que não deu quis ser visto por aqui. A crescente ebulição dos bares, inclusive diurnos, onde era liberado o uso da maconha, fizeram com que em 1987 fosse instalado um posto militar em frente ao Mercado, com revistas policiais regulares.
……….O bairro era um reduto eclético de novas ideias, atividades culturais e fonte de inspiração de novos projetos, sendo frequentado por artistas da literatura, da música, do teatro, do meio cinematográfico e fotográfico. Para conhecer melhor como era essa derradeira pulsação, assistam ao documentário “Sobre um Bom Fim”, de 2015, dirigido por Boca Migotto, disponível no YouTube.

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